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terça-feira, maio 17

Distância

       Me sinto tal qual uma criança que se perde dentro do próprio jardim. Uma curva errada numa árvore recém conhecida e já não se sabe mais onde está. A curiosidade toma conta daquela fresta entre os arbustos e enfiamos nossas maozinhas entre os gravetos, esperando achar o país das maravilhas e tudo que se acha é o fim da curiosidade e o início do desespero. A sensação da liberdade do desbravamento se esvaiu completamente e nos agachamos em posição fetal para cair no profundo de nós mesmos. O pulso pulsa arfante, entre a dor e o consolo. O peito palpita sanguinolento, esbugalhados olhos.- Arrependimento.
E tudo que podemos ver dentro das nossas almas descontroladas é um espelho da fotografia - a imagem da imagem. O inalcançável retorno ao eu. Cada milésimo de segundo dura um ano, sentimos o tempo transcorrer do arrepio dos pêlos. Um suspiro taquicárdico, cada segundo é um século.  A fragilidade exala da epiderme como suor e o frio que goteja por dentro é a ponta perfurante, que não nos deixa desfalecer completamente.

Eu ainda estou esperando você vir me buscar...

sexta-feira, fevereiro 19

Um senão...

Da série: As coisas que ninguém me ensinou
Que nem o céu rude e grosso, cheio de nuvens rotas e raladas - Elas parecem queijo, mamãe. -, do qual rompiam raivosos elétricos raios, oh sim... Eu tive medo. Tive medo do clarão na minha frente, daquilo que cortou o tão denso céu, que saiu das belas nuvens de queijo e algodão doce: claro, rápido e fulminante - meio que um ataque cardíaco.
Meio como o ataque cardíaco que eu senti naquele momento que você cruzou a minha vida, naquele momento que eu percebi que nunca mais poderia me esconder debaixo do edredom quando relampejasse. E o que você leva consigo é o de mais belo e triste em minha vida, porque nada é belo se não for triste - já dizia Vinícius.
E o amor é belo e triste e não sobrevive a perfeição, o amor é belo e triste como os raios esbravejantes no céu coberto e estrelado. É preciso ser triste para ser amor, é preciso se doar para ser amor. Tum-tum Tum-tum
É se sentir nu quando exposto, mas não exposto quando nu. E nunca, nunca se sentir completo. Nunca se sentir completo pois os raios rasgam as nuvens e agonizam no chão. Tum-tum Tum-tum
Enquanto corro sorridente para os raios e o chão, um infarto fulminate de morte e vida, badalando por dentro e por fora à sua mera presença, raio, percebo que é preciso conhecer o amor pra entender Camões. E o amor verdadeiro badala...Badala...Badala...Badala...
- Pára pendulo!

Fotografia do post: {CrisSAHM}
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Obrigada pelo carinho, queridos =) estava precisando de um tempo pra mim aí parei o blog! Mas vou responder a todos os comentários!
Quem quiser cantar junto: Pomplamoose
Até a vista <3

quarta-feira, janeiro 20

João e Maria


"Hoje eu queria escrever só por escrever, só por ser feliz deste jeito. Não para dizer coisas que eu não entendo, não para tentar convencer as pessoas do que eu penso. Hoje eu queria escrever só pelo prazer, só por este orgasmo múltiplo que me enche a boca, só por ter o coração acelerado e os dedos no teclado, só por escrever. Não que eu não tenha assunto: copa, bbb, obama, saudades e drogas. Mas, sabe,eu não queria dialogar inclusivamente, queria voar com minhas asas de hipópotamo, sentir o vento frio no meu rosto, ir ao céu, ir à Espanha, eu posso ir a qualquer lugar. Como maconha das cinco, como um ser cândido e Portinari. Borboletas no estomago, ar puro no pulmão, ar puro no cérebro; qualquer coisa quase nova.Uma perversão de sentimentos, de letras e palavras. Meu eu mais puro, putrefeito e verdadeiro.


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O título é uma música do Chico Buarque;
Fotografia por Ben Heine
Eu quero ser ele quando crescer. =D
Comecei um projeto fotográfico - "o baile" que vai me render um trabalho. Depois eu posto aqui =)

sexta-feira, janeiro 15

O vidro da janela

Suspensão, suspensão, suspensão - em todos os seus significados. Enquanto o carro pulava pelo buracos da estrada de barro eu percebi o mundo. Cinza. Tudo tão cinza. O céu nublado era cinza grafite, barulhento e tenebroso; o barro da estrada era cinza-escuro-de-lama, espalhava seus pedaços e grudava no carro saltitante, repugnante e frio; as pradarias longinquas era de um cinza-esverdeado, erguiam seus longos braços ao infinito - e havia pradarias onde quer que você olhasse, cercavam você - só as pequenas canas que cresciam na beira da estrada, miúdas, apáticas, davam um toque de cor no ambiente. Mesmo assim era verdes escuro, escuro cru, que lembrava o cinza. Hey Mr. Tamborine, tocava a rádio, e Bob nunca foi tão inoportuno. Atrás de nós uma nuvem de poeira e minhas lembranças jogadas para trás.


Foto por Ele  que tem uma galeria linda
=)

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