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quinta-feira, fevereiro 25

Um desenho

"Um desenho era o que eu carregava entre meus braços com cuidado, como se fosse um bebê. Descia a escada em espiral aspiralando meus pensamentos. Ai, cansaço! A sirene da escola havia tocado faz tempo, mesmo assim a quentura do dia de verão não permitiu que deixasse a sala com ar condicionado até que a
fome ordenou.
- Ai, que fome!
As outras crianças desciam correndo a escada que eu saltitava e, mesmo assim, nenhuma delas ia mais longe que meus pensamentos. Um suspirou tomou-me por inteiro e alguém me puxou o braço.
- Oi!
Agarrei-me a meu desenho - que na época era tudo pra mim - com cuidado para ele não voar e virei o rosto para aqueles olhos de castanha de caju. Miúdos e fartos.
- Eu resolvi uma coisa agora.
- Ah, foi?
- Foi! Eu vou ser sua melhor amiga!
- Vai?
Com um esbarro o desenho preciso escapou-me dos braços e os braços dela dos meus braços e os meus braços nunca saíram dos dela. E foram-se indo, a garota dos olhos de castanha de caju e meu desenho através da escada em espiral na qual crianças corriam, mas nenhuma ia mais longe que meus aspiralados pensamentos. A sirene da escola havia tocado. "

E já faz 11 anos, né? A coisa mais preciosa que ouvi em um bom tempo: - Você ainda é minha melhor amiga.

segunda-feira, janeiro 4

tipo hnnnmm


Eu não ia nem postar de novo, mas... Sabe, eu andei navegando por aí - como eu sempre faço um dia depois que posto no niili - lendo de tudo um pouco, qualquer besteira, qualquer coisa pseudo cult, qualquer coisa inteligente demais para eu poder entender ou pensar em escrever parecido. Aí eu me dei conta que a maioria das coisas que eu li - tirando as sobre dois mil e dez - eram sobre encerramentos, fins, tristes fins de blogs que anos e anos estavam aí. Então eu parei pra pensar.
- Quantos blogs eu mesma não já acabei? Quantos eu simplesmente abandonei? quantos eu nem lembro que fiz?
Aí bem, aí me bateu a lembrança que o niilismo.org, meu amado niili original saiu do ar dia desses - por falta de dinheiro pra pagar a hospedagem ¬¬ o que me lembrou 10.12.05 a data que o /hanna to yume foi parar em um novo endereço niji-neko.net/hanna (que o endereço terminou saindo do ar e eu perdi tudo que tinha escrito por tres anos no /hanna) Então eu me dei conta que faz cinco anos...
Cinco anos que eu escrevo de verdade em um blog. Escrevo não constantemente, não religiosamente, não sabiamente. Escrevo o que me dá e o que eu tenho e meu coração é da escrita desde sempre, desde criança quando eu escrevia sobre os animes que assistia, até a minha primeira tentativa de livro, até a segunda, até o de fato, até todas as coisas escritas que eu deixei para trás... Por um motivo ou outro. Então, ainda no então eu vagamente lembrei do meu primeiro blog, acho que cinco anos antes do /hanna, feito no blogger.com.br - quando ainda era de graça,pra você ver... Cantinhow da anninha ou Anninha no mundow da imaginaxão e vocês me descontem a escrita, eu tinha 10 anos e miguxes não era 'língua' ainda. Corri atrás deles e não achei, lembrei que eu deletei uns anos depois e me arrependi tanto por ter deletado!
Me bateu uma agonia tristonha por não ter mais meus posts, minha vida por dez anos, meus pensamentos, meu mundo, está na internet em alguma página que eu já nem mais sei qual. Então - e esse é o último - eu venho pedir que não apaguem seus blogs, nunca apaguem seus blogs. Minimamente você vai rir, algum tempo depois, e dizer:
- Como eu era idiota.
Mas aquela saudosa saudade gostosa e a sensação de ter vivido vai compensar o pensamento.


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Pensei sobre isso pq dei pra ler o antigo regularmento do tdb e só pode se cadastrar se tiver mais de quatro meses de blog - o que me torna uma inválida/ o que é ridículo pq eu tenho 10 anos de blog/ o que faz sentido visto quantos blogs eu já acabei xD


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fotografia por ela e olhem lá o flickr dela porque é divinamente lindo.
Invejafotograficadetected =3
beijos.

sábado, dezembro 26

A terceira metade do meu estresse


A memória jaze nos fungos do chuveiro. Ah, saudade! Quando foi que eu cresci e deixei de saber de tudo? Sinto-me em uma ignorante busca do eu, meio ébria, meio woodstokiana Deparei-me outro dia com uma carta que tinha escrito pro meu eu do futuro, acho que tinha uns 12 anos - essa idade que nomes e corações se entrelaçam e Sandy e Júnior ainda são famosos -. e eu me perguntava coisas tão, mas tão, banais, mas que eu sabia que ali morariam a minha felicidade. Era o que eu queria da minha vida, um namorado loiro - ele não precisava ser mais nada a não ser loirinho e alto. Eu não pensava em consideração, em pegação, em corações partidos. Queria um namorado loiro. Hoje em dia as coisas que levo em consideração são tão mais além da loirisse ou ausência dela. Ah, ingenuidade! Pedia a mim mesmo boas notas em matemática, para impressionar meu pai. Para impressionar meu pai, porque eu tirava oito em matemática e ele não ficava muito feliz. Pensar que ano passado choromingava por um seis, pensar que hoje eu não sei nem mais o que matemática é. Pensar que aos 12 anos a pior coisa do mundo era prova de matemática. Ah, inocência! Estou tentando recuperar a simplicidade de uma criança, porque ainda sou uma em tantos outros aspectos. A gente perde muita coisa por complicar demais...

título do texto
Fotografia - Anna Lucena

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